A Antroposofia, do grego "conhecimento do ser humano", introduzida no início do século XX pelo austríaco Rudolf Steiner, pode ser caracterizada como um método de conhecimento da natureza do ser humano e do universo, que amplia o conhecimento obtido pelo método científico convencional, bem como a sua aplicação em praticamente todas as áreas da vida humana.
A formação em Medicina Antroposófica no mundo todo é considerada uma extensão da formação médica acadêmica. Em resumo, a Medicina Antroposófica é uma prática exclusivamente médica, enriquecida pelo trabalho conjunto, interdisciplinar com outros profissionais, tais como: massagistas rítmicos, terapeutas artísticos, euritmistas e psicólogos. Atualmente no Brasil contamos com vários profissionais com mestrado e doutorado, indicando a permanente ligação com a medicina acadêmica. Além de clínicos e pediatras que ampliam sua prática com os conhecimentos da Medicina Antroposófica, há também outras especialidades: ginecologia, reumatologia, cardiologia, pneumologia, psiquiatria, oncologia; todos em busca de uma renovação de sua prática médica, para a melhoria da qualidade dos tratamentos oferecidos.
É uma ciência espiritual que objetiva o conhecimento (do grego sofia) sobre o ser humano (antropos). Com base em seus princípios, há escolas dentro da medicina, farmacologia, nutrição, fisioterapia, psicoterapia, pedagogia, administração e espiritualidade. Segundo a antroposofia, a conexão entre homem e natureza está presente em todos os fenômenos, em nível interno e externo, anímico e material. Não dá para separar.
Muitas são as ações que caracterizam e diferenciam a abordagem dos problemas de saúde pela Medicina Antroposófica. Tudo começa com uma imagem ampliada do ser humano, da saúde x doença e do processo de vida.
Diante de uma doença, o médico antroposófico vai considerar o quadro clínico do cliente - seus sintomas, os dados de anamnese, de exame físico, os subsídios de exames laboratoriais ou por imagem - como qualquer outro médico. Mas também vai pesquisar como está a vitalidade desse paciente, o seu desenvolvimento emocional e como ele tem conduzido sua vida através dos anos, sua história de vida ou biografia. O diagnóstico convencional pode, então, tornar-se mais profundo e individualizado. A origem dos desequilíbrios pode ser identificada e transformada através da terapêutica.
E esta envolve o uso de medicamentos produzidos com substâncias da natureza - minerais, plantas e até de alguns animais (abelha, corais) - através de técnica homeopática (diluição e dinamização), de processos específicos da farmácia ampliada pela Antroposofia (como é o caso dos medicamentos à base de metais) e de fitoterápicos. Mas também pode ser necessário o uso concomitante de medicamentos convencionais (alopáticos).
Além de remédios, o médico antroposófico também prescreve orientações alimentares, de saúde em geral e de estilo de vida, além da possibilidade de trabalho conjunto com as terapias ligadas à Medicina Antroposófica. Como ampliação da medicina acadêmica, a Medicina Antroposófica oferece uma proposta de abordagem para todos os problemas de saúde, ainda que seja tomada apenas como terapia complementar, aliada a outros métodos terapêuticos. Na verdade não ´preciso estar doente para procurar um medico antroposófico. Ele trabalha com, e fornece orientações e medicamentos que também trabalham na prevenção de muitas doenças.
A Medicina Antroposófica baseia-se nos métodos das ciências naturais, que nos permitem penetrar em todos os detalhes da natureza física ou corporal do organismo humano. A Medicina Antroposófica distingue, além da organização puramente física do homem, outras três organizações:
- Organização vital
que ordena os fenômenos físicos como fenômenos viventes;
- Organização anímica
que reordena por sua vez os fenômenos físicos e vitais de forma a possibilitar a aparição da consciência;
- Organização espiritual
absolutamente individual de homem para homem, e que organiza as outras três instâncias como uma organização biológica individual.
De acordo com esse método de pesquisa ampliada, temos quatro estruturas essenciais que constituem a entidade humana:
1. O Corpo Físico:
mineral, substancial, existente em diversas formas, em todos os reinos da natureza.
2. O Corpo Vital ou Etérico:
fundamento da vida, das características puramente vegetativas, crescimento, regeneração e reprodução. Existe em todos os organismos vivos.
3. O Corpo Anímico ou Astral:
é o fundamento da organização sensitiva do homem; ele reordena os processos biológicos, permitindo a aparição do sistema nervoso no mundo animal e no homem.
4. A Organização para o Eu:
é a organização própria do homem, dá a auto-consciência e reagrupa as atuações dos outros três corpos, surgindo assim o andar ereto e as capacidades de falar e pensar.
Essas quatro organizações agrupam-se reciprocamente em três formas diferentes no organismo humano, surgindo assim uma estrutura funcional e anatômica de constituição tríplice:
1. Sistema Neuro-sensorial:
Concentrado principalmente na região da cabeça, mas também distribuído por todo o corpo. Ele está a serviço da consciência.
2. Sistema Rítmico:
Cujo centro funcional se encontra na região torácica, onde a característica das funções pulmonar e do coração é o ritmo. Também presente nos ritmos de outras funções biológicas, fora da cavidade torácica.
3. Sistema Metabólico e das Extremidades:
Agrupa todos os processos metabólicos, base para o sustento, regeneração e movimento do organismo, cujos órgãos principais se concentram na cavidade abdominal e extremidades; mas funcionalmente presente, tal como os outros dois sistemas, em todo o organismo e em cada uma de suas células e tecidos.
A relação recíproca desses três sistemas muda durante a vida do ser humano, de idade para idade, vinculando-se com essa mudança biológica às mudanças que acontecem psicológica e espiritualmente no desenvolvimento normal das pessoas.
Um transtorno nesta transformação através do tempo leva a um desequilíbrio na relação recíproca desses três sistemas e esta é a causa primária das doenças.
O Sistema Neuro-sensorial é, em termos de multiplicação celular e regeneração de tecidos, biologicamente muito pobre quando comparado com os órgãos do Sistema Metabólico: e esta é a situação normal dele. Quando no Sistema Metabólico se repete a situação normal para o Sistema Neuro-sensorial, surgem as doenças degenerativas e, em geral, as doenças de evolução crônica; quando ocorre o contrário, quer dizer, o normal para o Sistema Metabólico aparece no Sistema Neuro-sensorial ou órgãos vizinhos, temos aí o fundamento das doenças inflamatórias, agudas.
A metodologia própria da Medicina Antroposófica permite pesquisar os reinos da natureza à procura de medicamentos para as doenças, e a mesma metodologia tem levado ao desenvolvimento de procedimento farmacêutico próprio para a fabricação desses medicamentos.
Os medicamentos próprios desta forma de Medicina são tomados dos três reinos da natureza: mineral, vegetal e animal, e suas indicações e mecanismos de atuação são conhecidos através do método de pesquisa de Antroposofia.
Um transtorno nesta transformação através do tempo leva a um desequilíbrio na relação recíproca desses três sistemas e esta é a causa primária das doenças.
O Sistema Neuro-sensorial é, em termos de multiplicação celular e regeneração de tecidos, biologicamente muito pobre quando comparado com os órgãos do Sistema Metabólico: e esta é a situação normal dele. Quando no Sistema Metabólico se repete a situação normal para o Sistema Neuro-sensorial, surgem as doenças degenerativas e, em geral, as doenças de evolução crônica; quando ocorre o contrário, quer dizer, o normal para o Sistema Metabólico aparece no Sistema Neuro-sensorial ou órgãos vizinhos, temos aí o fundamento das doenças inflamatórias, agudas.
A metodologia própria da Medicina Antroposófica permite pesquisar os reinos da natureza à procura de medicamentos para as doenças, e a mesma metodologia tem levado ao desenvolvimento de procedimento farmacêutico próprio para a fabricação desses medicamentos.
Os medicamentos próprios desta forma de Medicina são tomados dos três reinos da natureza: mineral, vegetal e animal, e suas indicações e mecanismos de atuação são conhecidos através do método de pesquisa de Antroposofia.
Medicinas complementares são práticas terapêuticas caracterizadas como não integrantes do sistema médico convencional alopático pelo fato de se basearem em explicações de ação diferentes daquelas adotadas tradicionalmente. Entretanto, o desconhecimento do modo de atuação de um determinado princípio não o impede de funcionar!
Pode-se mencionar, como exemplo, a acupuntura, que faz parte da medicina tradicional chinesa. O estímulo com agulhas em alguns pontos do organismo (meridianos ou canais de energia) provoca efeitos facilmente identificáveis, a despeito da ciência convencional não conseguir explicar como isso ocorre. É possível, por exemplo, anestesiar uma pessoa para uma cirurgia aplicando as agulhas nos pontos certos. Para quem pratica essa ciência milenar está claro que ao estimular os pontos por onde passa a energia vital ,tem-se efeitos sistêmicos ou à distância, sendo eles fisiológicos, mentais ou emocionais.
Estima-se que as medicinas tradicionais e complementares, como a medicina tradicional chinesa, a indiana ayurveda, a fitomedicina, a homeopatia, a medicina antroposófica e a naturopatia, atendam a dois terços da população da terra, restando um terço que é atendido pela medicina alopática ou convencional. Isso ocorre porque boa parcela da população sequer tem acesso regular ao que a Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica como de drogas essenciais. Entretanto, ainda de acordo com a OMS, as razões mais comumente reportadas para o uso das medicinas complementares estão ligadas ao fato de que são mais disponíveis, mais próximas da ideologia das pessoas, e menos paternalistas que a medicina alopática.
De todas as terapias complementares, a medicina antroposófica é a mais caçula. O Ministério da Saúde define, em sua Portaria 1600 de 2006, que “a medicina antroposófica apresenta-se como uma abordagem médico-terapêutica complementar, de base vitalista, cujo modelo de atenção está organizado de maneira transdisciplinar, buscando a integralidade do cuidado em saúde. Entre os recursos terapêuticos da medicina antroposófica, destacam-se: a utilização de aplicações externas (banhos e compressas), massagens, movimentos rítmicos, terapia artística e uso de medicamentos naturais (fitoterápicos ou dinamizados). (...) Utilizam-se recursos que estimulam os mecanismos naturais de prevenção de agravos e recuperação da saúde, com ênfase na escuta acolhedora, no desenvolvimento do vínculo terapêutico e na integração do ser humano com o meio ambiente e a sociedade.”
Embora relativamente recente, a medicina antroposófica resgata antigos conceitos da medicina hipocrática e das obras de Paracelso, dentre outros, e utiliza recursos semelhantes à homeopatia, à fitomedicina e à própria medicina convencional alopática. Dessa forma, não se trata de uma especialidade médica, mas sim de uma ampliação dos conceitos convencionais com os conceitos próprios da antroposofia.
No Brasil, os medicamentos antroposóficos foram reconhecidos pela Resolução da Diretoria Colegiada No. 26 de 2007 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), como uma categoria específica dentro dos medicamentos dinamizados, ao lado dos medicamentos homeopáticos e anti-homotóxicos.
O Conselho Federal de Farmácia reconhece a especialidade “Farmácia Antroposófica” através da Resolução No. 465, de 24 de Julho de 2007, publicada no Diário Oficial da União em 16 de agosto de 2007.