MEDITAÇÃO

MEDITAÇÃO
                             
Muita confusão está relacionada a este tema, algumas pessoas acreditam que meditação é ficar calado; outras que meditação é brincar de estatua; outras ainda pensam que fugir do mundo em um cômodo escuro com a porta trancada, e se alguém bater, finge-se de fantasma estará meditando; e outras mirabolantes definições e práticas. Pois é, nada disso corresponde a real prática da meditação.

                       Meditação é um estado de consciência expandido, acima do nível mental. Ao procurarmos em dicionário o seu significado, na maioria das vezes, encontramos uma definição errada. Consta que meditar é pensar em algo, mas a meditação é justamente o contrário, é parar de pensar.
 
                       A Meditação, no entanto, é um método de trabalho com a mente, e não um tipo de pensamento. Meditar é fazer um esforço consciente para concentrar a mente de uma maneira não analítica e evitar o pensamento discursivo ou reflexivo.
 
                       Outra forma errada de olhar a meditação, como ligada ao misticismo, às praticas religiosas ocultistas, a um estilo de vida ascético e reservado.
                   
                       A Meditação pode ser praticada por meia hora, dez minutos, um minuto, trinta segundos, diariamente, quinzenalmente, mensalmente. Ela é um estado pleno de Ser e Estar.
 
                       Será que compliquei? Ou expliquei!
 
                       A Meditação é na realidade uma técnica prática para cuidar da mente que é empregada de modo mais eficaz por pessoas que tenham um profundo envolvimento com a vida e que queiram manter um estado de saúde e de bem estar mais favorável.

                       Esse estado de consciência só aparece quando, é preciso se concentrar em algo, sem analisar este objeto, contemplando-o. Dessa forma, a mente satura, os pensamentos cessam e um estado expandido de consciência passa a fluir. Simples assim. Só precisamos nos dar este tempo diariamente, para concentrarmos em algo e meditarmos no infinito.
 
                      A meditação consiste de práticas diárias envolvendo essencialmente concentração da atenção. Sua prática regular proporciona vários benefícios e aperfeiçoamentos práticos, como :
 
- Descanso físico, mental e emocional ;
- Impressionante diminuição na ocorrência de sintomas do stress;
- Aumento da capacidade de concentração;
- Melhor adaptação a acontecimentos desgastantes;
- Maior auto-liderança;
- Bem estar psicológico e maiores níveis de auto realização;
- Maior liberdade de escolha, livre de pressões chantagiosas morai;
- Senso do Eu mais rico em possibilidades e autônomo;
- Reduz a ansiedade;
- Equilibra a respiração tornado-a profunda e melhorando a oxigenação;
- Proporciona um repouso mais tranqüilo, sem interrupções;
- Acelera a recuperação do pós operatório;
- Auxilia a digestão;
- A prática leva a clareza mental, objetividade, paciência , compreensão e justiça.
            
           O termo meditação é uma tradução aproximada da palavra sânscrita Dhyana, que significa um fluxo ininterrupto na direção de um objeto da meditação, podendo ser uma imagem, uma palavra, um conceito ou a respiração.
 
           A meditação em geral pode envolver sons, mas não linguagem falada ou pensada, ao contrário, um dos objetivos é justamente ativar um nível de não-pensamento lingüístico, que embora seja útil em algumas situações, não o é em outras.As técnicas de meditação são praticadas há milhares de anos. O objetivo inicial era ajudar as pessoas a aprofundar seu conhecimento das forças sagradas e místicas da vida.
 
                      A meditação é uma prática da Medicina Complementar que se encaixa na categoria de Técnicas do Corpo e da Mente. Estes tipos de terapia reforçam a comunicação entre corpo e mente.

                      A meditação não é usada no lugar de terapias tradicionais, como os medicamentos que o médico prescreve. Ao contrário, deve-se utilizá-la como complemento de outros tratamentos. A meditação também pode ser usada por pessoas com perfeita saúde, como um meio de reduzir o estresse.
          Experimente: 
 
          Escolha um lugar sereno onde você possa sentar-se de maneira confortável e com a coluna ereta. Pode ser numa cadeira ou no chão com as pernas cruzadas. Sentar-se sobre uma pequena almofada ajuda a manter as costas eretas. Use roupas que não apertem nem incomodem.
 
          Evite meditar quando estiver com sono ou muito cansado. Você se sentirá frustrado por não conseguir se concentrar e desanimará de sua prática diária. Um bom horário para meditar é pela manhã, quando estamos mais tranqüilos e descansados. Porém, isso também é escolha pessoal.
                Comece com dez minutos diários. Coloque um relógio para despertar após esse tempo, assim sua mente não poderá sabotá-lo fazendo-o acreditar que já se passaram muito mais que dez minutos.
 
                Não se mova durante esse tempo. O corpo é como um pote e a mente é a água dentro dele. Mover o recipiente faz com que a água também se mova e, lembre-se, o que você quer é que sua mente permaneça quieta e imóvel. 

                    Acalme a mente. A meditação por concentração foca um único objeto, que pode ser a respiração, uma imagem visualizada mentalmente ou uma imagem real, como a chama de uma vela ou um ícone sagrado. Um dos propósitos da meditação por concentração é ajudar a se concentrar. Se você tem muitas coisas na cabeça e acha que terá dificuldade em se concentrar nas suas atividades diárias, dê um tempo para meditar e volte aos seus projetos renovado. 

                      Respiração. Se você é um iniciante, comece com esta técnica, pois respirar é uma função natural que você não tem que aprender conscientemente. Simplesmente preste atenção à sua respiração – como se sente quando o ar entra ou sai das suas narinas. Não a siga até os pulmões. Quando perceber que sua atenção está se desviando, volte o foco para sua respiração, suavemente. 

                      Sensação. Você pode também, colocar a sua atenção nas sensações como dor, tensão, calor ou relaxamento em diferentes partes do corpo. Combine a análise do corpo com exercícios de respiração e imagine o calor da respiração ou o relaxamento entrando e saindo de diferentes partes do corpo.
 
                      Imaginação. Uma prática relacionada é o imaginário guiado, em que a voz de alguém, gravada ou não, conduz você num exercício de visualização. Uma vez que se tenha alcançado um estado de relaxamento profundo, a maioria por meio da meditação, cria-se uma imagem visual do que a pessoa que está fazendo o exercício sugerir. Talvez um lugar calmo, como um jardim, onde você se sinta calmo e seguro.
                      
                      Ou várias outras ferramentas podem ser utilizadas, até com práticas mais avançadas mas, tenha em mente que o âmago da meditação é de uma simplicidade apurada e baseado em experiências. Os melhores resultados são obtidos com a prática regular e agradável.
 
                      Vou transcrever um trecho extraído do capitulo 1 do livro Meditação, a Primeira e Última Liberdade de Osho Bhagwan Shree Rajneesh, mas ...
                        ...uma breve explicação, para evitar uma série de mal entendidos: Osho originalmente é um título de reverência concedido a certos mestres na tradição Zen do Budismo, e atualmente, o título é mais comumente relacionado com o controvertido filósofo indiano originalmente conhecido como Bhagwan Shree Rajneesh. Mesmo não sendo budista ou um mestre pertencente à tradição Zen, a partir de certo momento, ele passa a ser chamado de Osho por seus discípulos e começa, então, a ser reconhecido mundialmente com esse nome. Isso se dá no final dos anos 80, no momento em que ele abandona definitivamente todos os seus nomes e os títulos pelos quais era conhecido anteriormente.
                       Então , vamos ao trecho:
                       Meditação é aventura, a maior aventura que a mente humana pode empreender.Meditação é simplesmente ser, sem fazer nada - nenhuma ação, nenhum pensamento, nenhuma emoção. Você apenas é, e é puro prazer. De onde vem esse profundo prazer, quando você não está fazendo nada? Não vem de lugar nenhum, ou vem de toda parte.Ele é não-motivado, porque a existência é feita de uma matéria chamada alegria.

                       Quando você não está fazendo absolutamente nada - corporalmente, mentalmente, em nenhum nível - quando toda a atividade cessou e você simplesmente é, apenas sendo, isso é meditação. Você não pode fazê-la, você não pode praticá-la: você tem apenas que compreendê-la.

                       Sempre que você encontrar tempo para apenas ser, abandone todo o fazer.Pensar também é um fazer, concentração também é um fazer, contemplação também é um fazer. 

                       Mesmo que apenas por um único momento você fique sem fazer nada, simplesmente permanecendo no seu centro, totalmente relaxado - isso é meditação. E uma vez que você tenha descoberto o jeito, você pode permanecer nesse estado tanto tempo quanto quiser; finalmente você poderá permanecer nesse estado durante as vinte e quatro horas do dia.

                        Uma vez que você se tomou consciente de como seu ser pode permanecer imperturbado, então, vagarosamente, você pode começar a fazer coisas, mantendo-se alerta para que seu ser não se agite. Essa é a segunda parte da meditação - primeiro, aprender simplesmente a ser, e então aprender pequenas ações: limpar o chão, tomar um banho, mas permanecendo centrado. Então você poderá fazer coisas mais complicadas.

                       Por exemplo, eu estou falando com você, mas a minha meditação não é perturbada. Eu posso continuar falando, mas lá no meu centro não há nem sequer uma pequena ondulação; ele está absolutamente silencioso, completamente silencioso.

                        Assim, a meditação não é contra a ação. Não é que você tenha que escapar da vida. Ela simplesmente lhe ensina uma nova maneira de vida: você se toma o centro do ciclone. A sua vida continua, continua de uma maneira muito mais intensa - com mais alegria, com mais claridade, mais visão, mais criatividade - todavia você está distanciado, apenas um observador nas colinas, simplesmente assistindo o que está acontecendo ao seu redor.

                        Você não é o que faz, você é o observador. 

                        Esse é todo o segredo da meditação, você se toma o observador. O fazer continua em seu próprio nível, não há nenhum problema: cortar madeira, tirar água do poço. Você pode fazer coisas pequenas e coisas grandes; só uma coisa não é permitida, e isso significa: seu centramento não pode se perder. Essa consciência, esse estado de observação deve permanecer absolutamente desanuviado, imperturbado.

                        No judaísmo há uma escola de mistério rebelde chamada hassidismo. Seu fundador, Baal Shen, foi um ser raro. No meio da noite ele estava voltando do rio - essa era sua rotina, porque no rio, à noite, tudo era absolutamente calmo e tranqüilo. E ele costumava simplesmente sentar-se lá, fazendo nada - apenas observando seu próprio eu, observando o observador. Nessa noite, quando estava voltando, ele passou pela casa de um homem rico e o vigia estava lá em pé perto da porta. E o vigia estava intrigado, porque toda noite, exatamente àquela hora, esse homem estava voltando. Ele saiu e disse: 

                        “Desculpe-me interrompê-lo, mas não consigo mais conter a minha curiosidade. Você me persegue dia e noite, todos os dias. Qual é a sua ocupação? Por que você vai ao rio? Muitas vezes eu o segui e não há nada - você simplesmente senta-se lá, por horas, e no meio da noite você volta.”

                        Baal Shem disse: “Eu sei que você me seguiu muitas vezes, porque a noite é tão silenciosa, que eu posso ouvir seus passos. E eu sei que todo dia você está escondido atrás do portão. Mas não é apenas você que está curioso a meu respeito; eu também estou curioso a respeito de você.Qual, é a sua ocupação?”

                        Ele disse. “Minha ocupação? Eu sou um simples vigia.”

                       Baal Shem disse: “Meu Deus, você me deu a palavra-chave. Esta é a minha ocupação também!”

                       O vigia disse: “Mas eu não compreendo. Se você é um vigia, você deveria estar vigiando alguma casa, algum palácio. O que você está vigiando lá, sentado na areia?

                        Baal Shem disse: “Há uma pequena diferença - você está alerta em relação a alguém do lado de fora que poderia entrar no palácio; eu simplesmente observo este observador. Quem é este observador? Este é o espaço de toda a minha vida; eu observo a mim mesmo.”

                        O vigia disse: “Mas essa é uma ocupação estranha. Quem é que vai lhe pagar?”

                        Ele disse: “É uma bênção tão grande, uma tal alegria, uma bem-aventurança tão imensa, que isso se paga a si mesmo em profundidade.Apenas um único momento, e todos os tesouros não são nada em comparação a ele”

                        O vigia disse: Isso é estranho. Eu tenho estado observando durante toda a minha vida. Eu nunca me deparei com uma experiência tão bonita. Amanhã à noite eu irei com você. Você apenas me ensina. Porque eu sei como observar - parece que apenas é necessário uma direção diferente: você está observando numa direção diferente.”

                        Há apenas um passo, e este passo é de direção, de dimensão. Ou podemos estar focados no exterior, ou podemos fechar os olhos para o exterior e deixar toda a nossa consciência ficar centrada para dentro.- e você saberá, porque você é um conhecedor, você é consciência. Você nunca a perdeu. Você simplesmente deixou sua consciência se emaranhar em mil e uma coisas. Retire sua consciência de todos os lugares e apenas deixe-a descansar dentro de você, e você chegou em casa.

                       O âmago essencial, o espírito da meditação, é aprender como testemunhar. A gralha cantando… você está ouvindo. São dois elementos: objeto e sujeito. Mas você não pode ver uma testemunha que está vendo ambos? - A gralha, o ouvinte, e ainda há alguém que está observando ambos. É um fenômeno tão simples!

                        Você está vendo uma árvore: você está aí, a árvore está aí, mas será que você não pode encontrar alguma coisa mais? - que você está vendo a árvore e que há uma testemunha em você que está vendo você vendo a árvore. 

                        Observação é meditação. O que você observa é irrelevante. Você pode observar as árvores, pode observar o rio, pode observar as nuvens, pode observar as crianças brincando. Observação é meditação. O que você observa não é a questão; o objeto não é a questão.

                         A qualidade da observação, a qualidade de estar consciente, alerta - é isso o que é meditação.

                        Lembre-se de uma coisa: meditação significa consciência. O que quer que você faça com consciência é meditação. A ação não é a questão, mas a qualidade que você traz para a ação. O caminhar pode ser uma meditação, se você caminha alerta. Sentar-se pode ser uma meditação, se você senta-se alerta. Ouvir os pássaros pode ser uma meditação, se você ouve com consciência. Simplesmente ouvir o barulho interior da sua mente pode ser uma meditação, se você permanece alerta e observador.

                           A questão toda se resume em não mover-se adormecido. Então o que quer que você faça é meditação.

                        O primeiro passo para a consciência é tomar-se muito atento ao seu corpo. Pouco a pouco, a pessoa vai se tomando alerta para cada gesto, cada movimento. E, à medida que você vai se tomando consciente, um milagre começa a acontecer: muitas coisas que você costumava fazer antes, simplesmente desaparecem; seu corpo se torna mais relaxado, seu corpo se torna mais harmonizado. Uma paz profunda começa a prevalecer até mesmo no seu corpo, uma música sutil pulsa em seu corpo.

                        Então, comece a se tomar consciente de seus pensamentos; o mesmo tem que ser feito com os pensamentos. Eles são mais sutis do que o corpo e, naturalmente, mais perigosos também. E quando você se toma consciente de seus pensamentos, você fica surpreso com o que se passa dentro de você.

                        Se você anotar o que quer que passe em sua mente em qualquer momento, você nem pode imaginar que grande surpresa o espera. Você não acreditará que tudo isso está se passando dentro de você.

                        E depois de dez minutos leia - você verá a mente louca que existe dentro de você! Porque você não está alerta, toda esta loucura continua movendo-se como uma corrente subterrânea. Ela afeta o que quer que você esteja fazendo, afeta o que quer que você não esteja fazendo; afeta tudo. E a soma total vai ser a sua vida!. Assim sendo, esse homem louco tem que ser transformado. E o milagre da consciência é que você não precisa fazer nada exceto apenas tomar-se alerta.

                        O próprio fenômeno de observar a mente, a transforma. Pouco a pouco o homem louco desaparece, pouco a pouco os pensamentos começam a cair em um certo padrão; seu caos não existe mais, eles se tomam mais como um cosmo. E então, novamente, prevalece uma profunda paz. E quando seu corpo e sua mente estiverem em paz, você verá que eles estão sintonizados um com o outro, há uma ponte. Agora eles não se movem em direções diferentes, eles não estão galopando em cavalos diferentes.

                         Pela primeira vez há acordo, e esse acordo ajuda tremendamente a trabalhar o terceiro passo que é tomar-se consciente dos seus sentimentos, emoções, humores.

                          Esta é a camada mais sutil e a mais difícil, mas se você pode estar consciente dos pensamentos, então basta apenas mais um passo. Uma consciência um pouco mais intensa é necessária e você começa a refletir seus humores, suas emoções, seus sentimentos. Uma vez que você ganhou consciência em todos esses três passos, eles se juntam todos em um fenômeno. E quando todos esses três são um - funcionando juntos perfeitamente, zunindo juntos, você pode sentir a música de todos os três; eles se tomam uma orquestra - então o quarto, aquilo que você não pode fazer, acontece. Acontece por sua própria conta. E um presente do todo, é uma recompensa para aqueles que passaram por estes três.

                        E o quarto é a consciência definitiva, que o toma a pessoa acordada. Ela toma-se consciente da própria consciência - este é o quarto. Este cria um Buda, o acordado. E somente neste acordar é que se vem a conhecer o que é o êxtase.

                        O corpo conhece o prazer, a mente conhece a felicidade, o coração conhece a alegria, o quarto conhece o êxtase. O êxtase é o objetivo do sannyas, de se tomar um buscador, e a consciência é o caminho para ele.A coisa importante é que você seja observador, que você não tenha se esquecido de observar que você está observando … observando …. observando. 

                        E pouco a pouco, à medida que o observador se toma mais e mais sólido, estável, seguro, uma transformação acontece. As coisas que você esteve observando desaparecem. Pela primeira vez, o próprio vigia se toma o vigiado, o próprio observador se toma o observado. 

                        Você chegou em casa.
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