FITOTERAPIA

FITOTERAPIA
 
               
 A Fitoterapia é a ciência que trata os problemas de saúde, utilizando os vegetais (fito complexo). Sua história é contemporânea ao início da civilização. As plantas medicinais constituem a principal fonte de matéria prima para a produção de remédios. Ela pode ser utilizada alopaticamente ou homeopaticamente. Tão antiga quanto a existência do homem.
 
                        Não devemos esquecer que muitas drogas farmacoterapicas são extraídas das plantas medicinais, porém o que parece estranho é que existe uma diferença entre o efeito do principio ativo isolado e o da planta inteira, quando ministrados separadamente. Isto porque o principio ativo é um dos fatores dentre os vários que participam de sua atividade curativa, pois uma planta é um conjunto de fatores e não apenas um deles, isolado.
 
                        O primeiro manuscrito conhecido sobre a Fitoterapia é o chamado Papiro de Ebers, que leva o nome do notável egiptólogo que o descobriu em Luxor e que o traduziu. É um manuscrito contínuo, em forma de rolo, de uns 30 cm de largura por mais de 75 metros de comprimento, anterior a 1.500 A.C., resquício da antiga civilização egípcia.
 
                        O uso de plantas medicinais e fitoterápicos, com finalidade profilática, curativa, paliativa ou para fins de diagnóstico, passou a ser oficialmente reconhecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 1978, quando realizou uma conferência em Alma-Ata (antiga URSS) onde foi estabelecida uma declaração na qual constava que “o cuidado integral para todos e por todos é uma necessidade não só no âmbito da saúde, mas para o futuro dos países que aspiram a continuar sendo nações soberanas em um mundo cada dia mais injusto”.
 
                         Esta declaração foi um consenso com a presença de 134 países, 67 organismos internacionais e dezenas de organizações não governamentais. A proposta era “Saúde para todos no ano 2000”, onde um dos principais pontos foi a incorporação das práticas tradicionais, entre elas o uso de plantas medicinais, nos cuidados da saúde.
 
                        A OMS reconhece que “80% da população dos países em desenvolvimento são usuários de práticas tradicionais nos cuidados básicos em saúde". Estima-se que 85% dessa população utiliza plantas medicinais ou produtos relacionados. Segundo a Associação Brasileira das Empresas do Setor Fitoterápico, Suplemento Alimentar e de Promoção da Saúde (ABIFISA), é provável que cerca de 82% da população brasileira utilize produtos a base de plantas medicinais.
 
                        Ainda segundo a OMS, as práticas da medicina tradicional expandiram-se globalmente na última década e ganharam popularidade. São incentivadas não somente pelos profissionais que atuam na rede básica de saúde dos países em desenvolvimento, mas também naqueles onde a medicina convencional é predominante no sistema de saúde local .
 
                        Pela definição legal, fitoterápico é um medicamento obtido por processos tecnologicamente adequados, empregando-se exclusivamente matérias-primas vegetais, com finalidade profilática, curativa, paliativa ou para fins de diagnóstico. É caracterizado pelo conhecimento da eficácia e dos riscos de seu uso, assim como pela reprodutibilidade e constância de sua qualidade. Não se considera medicamento fitoterápico aquele que, na sua composição, inclua substâncias ativas isoladas, de qualquer origem, nem as associações destas com extratos vegetais.
 
                        A fitoterapia, como prática complementar, é um fenômeno social no mundo atual, caracterizado pelas suas inter-relações biológicas, sociais, culturais e econômicas. Na década de 40 do século passado, a fitoterapia passou por uma crise e o uso de plantas medicinais foi desconsiderado como uma forma de terapia medicamentosa de base científica, postura essa impulsionada pelo desenvolvimento da indústria química e farmacêutica e pelo modelo de educação introduzido nos cursos da saúde que priorizava o enfoque tecnicista.
 
                        Nas últimas décadas, o interesse populacional pelas terapias naturais tem aumentado significativamente nos países industrializados e o uso de plantas medicinais e fitoterápicos encontram-se em expansão. É reconhecida a importância dos produtos naturais, incluindo aqueles derivados de plantas, no desenvolvimento de modernas drogas terapêuticas. Entre todos os medicamentos comercializados no mundo atualmente, cerca de 40% tiveram origem direta ou indiretamente em fontes naturais, salientando que 78% das drogas antibacterianas e 60% dos medicamentos antitumorais são derivados de produtos naturais.
 
            O uso de fitoterápicos intensificou-se na década de 90 e seu mercado mundial obteve um faturamento de US$ 12,4 bilhões em 1997. De acordo com a ABIFISA, os fitoterápicos movimentariam, anualmente, no Brasil, cerca de US$ 400 milhões. É de se esperar que em 2010, esses medicamentos cheguem a alcançar a faixa dos US$ 2 bilhões de vendas ao ano. Plantas medicinais, preparações fito farmacêuticas e produtos naturais isolados representam um mercado que movimenta bilhões de dólares, tanto em países industrializados, como em países em desenvolvimento.
 
            O Brasil é o país que detém a maior parcela da biodiversidade, em torno de 15 a 20% do total mundial, com destaque para as plantas superiores, das quais detém aproximadamente 24% da biodiversidade. Entre os elementos que constituem a biodiversidade, as plantas são a matéria-prima para a fabricação de fitoterápicos e outros medicamentos. Além de seu uso como substrato para a fabricação de medicamentos, as plantas são também utilizadas em práticas populares e tradicionais como remédios caseiros e comunitários, processo conhecido como medicina tradicional. Além desse acervo genético, o Brasil é detentor de rica diversidade cultural e étnica que resultou em um acúmulo considerável de conhecimentos e tecnologias tradicionais, passados de geração a geração, entre os quais se destaca o vasto acervo de conhecimentos sobre manejo e uso de plantas medicinais.

 
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